09 Dezembro, 2011

Estética Intima Feminina - ou Bioplastia Íntima


Num incrível momento de reflexão, me pego avaliando a possibilidade de uma cirurgia estética íntima. Esse nome é pra ser dito na mesa do jantar no restaurante. Com as amegas intímas é pra dizer: "Tô pensando em fazer uma plástica na racha!" Experimenta dizer na rodinha. A cara das amigas varia 17 páginas entre as que acham estranho, as que nunca ouviram falar e as mais divertidas, aquelas carinhas de quem está pensando "será que eu preciso?"
Se você tem perto de cincoenta, precisa. Se você é solta na vida já abandonou o rock and roll e as drogas mas gosta de sexo, precisa. Se você é casada com aquele marido lindo, que minha mãe sonhou pra genro, precisa. Na crueldade, posso te dizer que se você se olhar direitinho vai ver que precisa sim! [ou já teria parado de ler].
A questão é que a gente não se olha. A gente teve até que treinar pra se olhar direito, lá nos idos do auto-descobrimento lembra? O tempo passou e responde rápido: há quanto tempo você não vê suas partes íntimas? Que cor tem? Não precisa parar aqui pra ir ver agora não, mas aqueles grandes lábios estão enormes né não? Não do tipo Angelina Jolie... até porque lamento lhe dizer, não há botox ali.
Também não temos o hábito masculino do "exibicionismo/comparativo"! E isso pode retardar a avaliação. Os rapeizes andam com as partes íntimas expostas... ao léu... ao balanço do mar literalmente. O resultado é que qualquer mudança no pinto [meu irmão diz que só mulher chama caralho de pinto] o amigo grita no vestiário pra todos ouvirem e chama todo mundo pra ver e gargalhar.
Nós, andamos agarradas, montes de beijos pra lá e pra cá, tomamos banho de banheira juntas, andamos nuas umas com as outras [com licença do povo do Paraná e do Rio Grande do Sul]mas não me lembro de um dia ter pedido pra amiga "abre aí pra eu ver". Quem manda sermos in e os homens out?
Resultado... a xereca, a xoxota, a racha [como bem dizem as bibas] vai crescendo, caindo, murchando e escurecendo. Que horror!... Não quero desanimar ninguém, mas só deixar um alerta. Se pintar um tipo novo irresistível não queira consertar o estrago sozinha! "Eu tenho uma amiga" que pra clarear as partes próximas "a rodinha" e a virilha - que sim, estavam bem escuras - passou nas partes o creme que ela usava no rosto. Teve que passar uns cinco ou seis dias pra fazer efeito. E que efeito! Um dos componentes era ácido. Descascou a pele do cofrinho até cintura. E da virilha até os joelhos. Dias e dias soltando pele no lençol de cetim da cama redonda.
Sabe aqueles pés de galinha no rosto, as rugas na cara toda, a flacidez... bom... vc agora sabe, pode ser bem pior. Mas há uma saída honrada: não olhar e apagar a luz.
De qualquer forma, você saberá que ela está lá... escura... ameaçadora... desabando com a força da gravidade... aumentando as células gordurosas... e isso só pelo lado de fora.
Por dentro, se você for bem íntima, mas bem íntima mesmo do teu ginecologista ele pode te contar o estado geral da dita baseado no que ele bem conhece.
Mas meu momento "acabar com o final do ano das amigas" tem um alento.
Vou mostrar pra vocês uma obra de arte que trata muito bem dessa "Estética Íntima Feminina" e que pode ajudar você num encontro com teu eu mais íntimo.
Você pode recortar a que mais se parece com você e usar de perfil no face. Vai bombar!

obra de Jamie Mc Cartney

Se você quiser saber mais, acesse Ele. Google. Sozinha tá?

03 Novembro, 2011

CONTAGEM REGRESSIVA

Faltam 23 dias

29 Outubro, 2011

MENOS EU

Não gosto de jaqueta de couro [nem de calça]
Não gosto de bolsa Luis Vuitton
Não gosto de bolsa Chanel nem de nenhuma com correntes
Não gosto de dourado perua [dourado só ouro]
Não gosto de relógio Michael Kors
Não gosto de pele de bicho [nem fake, nem em tecido imitando]
Não gosto de estampa caveirinha

25 Outubro, 2011

da IRLANDA em DUBLIN

20 Outubro, 2011

ELA e a Irlanda

Uma mulher e tanto. Que nada... agora vejo uma menina.
Praticamente uma adolescente...
Magina... ela sozinha por esse mundão de meus budas!
Na Irlanda! Ó céus! Muito longe!
Pior do que longe, nem sei bem onde fica, o que faz, com quem. Na minha cabeça de bagre baiano a Irlanda nem existe. É um lugar cenográfico que emergiu da cabeça de um hollywoodiano louco e que deu certo. E lá viveu o Rei Arthur. [Bom, sinceramente, só isso já me basta pra eu começar a achar o lugar bem interessante].
Mas a Irlanda... nenhum amigo meu mora lá. Nenhuma amiga minha casou com um irlandês. Nenhum filho de alguém que eu conheço fez intercâmbio lá. Menos ainda, vive lá. Olha que com esse negócio de virtualidade eu conheço filho de gente na Nova Zelândia, na Austrália, na China, na Índia, até no Nepal sim. E no Peru e no Chile. Nas Maldivas também. Mas na Irlanda... Pra dizer a verdade, não consigo me lembrar de alguém que eu conheço e que conhece a Irlanda. Chamei e ninguém disse presente. Mas Ela vai pra Irlanda. Acho que nem time de futebol tem a Irlanda. Se tem, é de última! Como é que pode existir um lugar nesse mundo sem futebol?

Tão piquinininha ela...
Com aquele irresistível sorrisão escancarado e os loiros cabelos caindo assim...

Posso ver a foto que for da Irlanda mas só imagino Mel Gibson tomando café na esquina. Não, ele não é Irlandês mas poderia ser. Parece que a Escócia não permitiu que ele filmasse Coração Valente lá, então, a Irlanda foi perfeita. Não disse que Hollywood fez a Irlanda? Acho também que tudo que se refere a Camelot, Arthur, Lancelot, Robin Wodd etc.. foi filmado lá.
Mas de verdade, a Irlanda já deu um James Bond para o mundo!
E o quê mais? Sei lá... Tio Google salva. Vou lá e acho:

"A Irlanda tem o quinto IDH mais elevado do mundo e o país também se orgulha de ter a mais alta qualidade de vida do mundo, estando em primeiro lugar no ranking do índice de qualidade de vida do Economist Intelligence Unit. A Irlanda foi a sexta classificada no Índice Global da Paz. A Irlanda também tem uma alta classificação no seu sistema de ensino, na liberdade política e direitos civis, na liberdade de imprensa e na liberdade econômica e é um dos poucos países "sustentáveis" em todo o mundo."

então... depois dessa aula básica de lugar perfeito... escrevo:

Minha linda e doce afilhadinha,
Minha Dinha,
eu sempre soube que você tinha bom gosto!
A Irlanda é o lugar ideal pra você e acredito mesmo que o País merece ter você por lá. Mas olha você... toma cuidado na hora de atravessar a rua viu?
Olha bem pros lados antes tá? Aqui, tô de camisa doze!
Bezos moitos!
Dinda

13 Agosto, 2011

Meu Pai morreu.
Como gente importante morreu domingo. Assim como Tancredo Neves. Como Ayrton Senna. Como mulher grávida, esperou a mudança de lua. Morreu dia 28 de São Judas, no mês de Março do Golpe Militar.

Morreu depois que todos nós - ao redor dele - percebemos claramente que há um Deus e que nós não somos esse Deus.
Não existe aquela coisa de "ele vai esperar eu chegar pra morrer, porque eles sempre esperam todos os filhos chegarem".
Nada de "se eu sair ele morre". Muito menos o "ele morre do lado de quem ele mais gosta".
Não existe o se despedir dele, dar adeus e ele morrer.
Não existe o médico com a certeza de uma data. De um tempo.

Existe sim, um mistério.
Inacreditável quando quem está ali morrendo, é teu pai.
O mistério que te faz falar alto com um pai inconsciente há dois dias e então, ele responde. O mistério que faz com que, num dia qualquer, depois de 16 dias de hospital, tua mãe deixe a camisa que ele vai usar no caixão passada, pendurada num cabide do lado de fora do guarda-roupa. Dia da morte.
O mesmo mistério que faz com que a voz da tua mãe – se despedindo - mude a respiração do teu pai.
Existe um mistério delicioso quando você sabe que ele já sabia de tudo antes mesmo da gente saber. Sabia que não voltaria do hospital. Nunca mais. Tinha medo que o papagaio – insuportável – morresse. Deixou tudo arrumado. Escolheu pra quem minha mãe deveria dar o relógio de bolso dele. E o casaco azul marinho. E escolheu a roupa do enterro. A mesma das Bodas de Ouro que ele quase não usava pra não gastar.
Existe um mistério que faz com que a gente converse com ele em pensamento. E faz ele ouvir.
Mistério nos amigos dele... e que amigos ... do vizinho surfista, o Romeuzinho; passando pelos “excluídos” da vizinhança e pelos filhos do afilhado – carinhosissimos - de brincos nas orelhas e boné de skatista; aos amigos velhinhos, da idade dele, que derramaram lágrimas de jovens amigos e apertaram o coração descrente.

Existe um mistério na morte – ou na vida – que faz com que ele morrendo aos poucos faça com que cada um de nós vá morrendo um pouco também. Um tempo que meu Pai deixou pra gente. Um tempo que poderia ser de 3 ou 6 meses e que foi de 6 dias.

No dia da morte minha mãe se despediu dele e saiu.
Fui do lado do rosto dele e me despedi também. Conversei um pouco. Só fiz uma promessa: a de cuidar da minha mãe (a grande amada dele).
Dei um beijo no rosto dele e pela primeira vez me sentei num banquinho, no pé da cama. Era uma hora da tarde.
Primeiro eu deixei de ouvir a respiração forçada, ofegante, sacrificada. Passou a ser uma respirada baixinha, com 8 segundos de diferença entre uma aspiração e outra. Audível porque a TV estava desligada. Seu Anézio, o companheiro do quarto, dormia e dona Rosa e Neuza - acompanhantes dele - tinham ido almoçar.
Eu recitava mantras tibetanos.
Passei a olhar para o peito dele. Para aquele retângulo branco de gaze, feito curativo, que prendia a agulha do soro e da medicação. O grande curativo demorava para subir, e baixado, ficava quieto oito segundos.
Um ... dois ... três ... quatro ... cinco ... seis ... sete ... oito ...

Eu recitava mantras.

Um ... dois ... três ... quatro ... cinco ... seis ... sete ... oito ... e nove .... e dez ....e voltou a subir! GRAÇAS A DEUS!
Como Graças a Deus?
Como?
É claro!
Quem quer que o pai morra? Quem quer que o pai pare de respirar?

Mas eu queria... Tinha dito isso a ele de outras formas. De outros jeitos. Bastava de sofrimento. De dor. De luta. Bastava de preocupação. Deus estava grudado em meu Pai. Pronto pra indicar um caminho melhor do que uma desesperada cama de hospital com um câncer espalhado pelo fígado, estomago, rim e intestino que comia meu Pai há mais de cinco anos. Eu queria sim, que ele parasse de respirar.

Parei de recitar, levantei e pedi desculpas a meu Pai.
“Desculpa pai. Desculpa! Tenho dito que se o senhor quiser ir, pode ir. Já me despedi. Já lhe garanti cuidar da mamãe, mas assim, quando chega a hora, a gente descobre que não é bem verdade. Eu queria o senhor aqui com a gente. Aqui comigo...
Mas agora não pai. Noutra vida quem sabe. Agora descansa. Relaxa um pouco. Não se preocupa com nada não. Deus vai arranjar um lugar bem bonito pro senhor, bem perto dele. Agora não luta mais não! O senhor já lutou tanto... e por tanta coisa na vida ...
Pode ir pai. De verdade. Eu estava com medo mas agora não estou mais não. O Mano já se despediu do senhor, a mamãe já se despediu e se o senhor quiser ir, vai. Eu prometo que não vou fazer escândalo, que vou chorar só um pouquinho.

Quando o senhor for embora eu vou continuar aqui sentada, recitando mantras até acabar o mala. Não vou me levantar daqui enquanto eu não estiver bem calma. Mas pode ir pai. Eu fico aqui”.

Dona Rosa voltou com a Neuza do almoço e eu disse pra elas que meu pai estava indo. Neuza sentou, abriu um livrinho e começou a ler e dona Rosa começou a rezar baixinho.
Chegou Conceição. Me olhou e eu disse a mesma coisa pra Conça. Como ela fazia sempre nos últimos sete dias ela perguntou se eu queria um café. E Conça foi buscar o café.

Continuei recitando mantras e minha prática budista me ajudou. Visualizei aquela cama de hospital com meu pai nela, sendo rodeada de Mestres, de Lamas, de deuses, de espíritos iluminados dançando. Chagdud Rinpoche do trono dele no Khadro Ling observando e recebendo meu pai. Vi Nossa Senhora do Monte Serrat tirar o manto e cobrir meu pai – ele tão devoto dela - e continuei sem parar a recitar para Tara.
Não tirei os olhos do meu pai nem por um segundo e não sei quando o peito dele parou de subir e descer.
Não sei quando aquele coração que a gente sempre achou tão enfraquecido depois de 3 infartos e 2 AVCs – e que se mostrou uma montanha - parou de bater. Eu continuei recitando. Com o peito do meu pai imóvel. Só sei que quando olhei o relógio novamente eram 14:46 hs. Continuei recitando. Cumprindo um dos votos que fiz pro meu pai.

Mesmo quando terminei o mala continuei imóvel naquele banquinho.
Imóvel por dentro e por fora. Vazia.

Quando consegui me mexer, Dona Rosa estava com os olhos fixos em mim e Neuza continuava lendo o livrinho.
Olhei pra Conceição de pé do meu lado com o café.
“Conça, meu pai foi embora”.

Nestes últimos dias percebi que todo filho é filho.

Que todo pai é Pai.

Os que se amam, claro.
Eu não perdi meu pai. Perdi uma lenda. Um mito.
Pai não é concreto. É Abstrato.
A proteção não está no abraço, muito menos na conta bancária.
A felicidade não esta em dentes escancarados nem em gargalhadas sonoras.
O vínculo não está no sobrenome.
Agora tenho certeza de que aquele fio mágico que eu sentia unindo a gente é de verdade um fio e é de verdade mágico.
Sem meu pai o fio não existe. A outra ponta fica chicoteando no ar e deixa essa dorzinha aguda que não passa. É o peso de uma solidão.

É isso que chamam de luto.
É isso que chamam de órfão.
Meu pai chamavam de Luciano.
Agora eu não sei.
Só sei dessa certeza de que assim, nunca mais.

03 Julho, 2011

UTI

Seis dias de internação, transfusão de sangue ontem a noite e nenhuma reação. E olha que o doador é um super bichano enorme, lindissimo e muito forte! De raça rara. Esperou a passeata com Jesus acabar e lá se foi na caixinha cor de abóbora para a clínica veterinária. Não gostou nada do que viu e logo voltou para o refúgio no fundo da caixa, com olhos enormes supervisionando tudo.
Doou seu sangue pro Tuta, já parado, mas com olhos amarelos ainda atentos.
Na sexta-feira Tuta veio passar a noite aqui em casa, com a esperança que reagisse melhor. Passei a noite acordada e de hora em hora tentei lhe dar o que comer. Nada. Só umas lambidas numa colher com atum.
Tuta - apelido de Toulouse - sempre foi o que é. Meio bicho do mato. Não é muito amigo de pessoas. Não conhece outros bichos e nunca saiu da porta do apartamento pra nenhum outro lugar. Na caixa, só pro veterinário e olhe lá, porque nos primeiros anos de vida o veterinário era a domicílio. Sempre desconfiei que ele não sabe que é gato. Por isso não é muito gato.
Só não afirmo com certeza porque teve o episódio Liz.
Liz, budista praticante, a gringa mais doce do mundo, elegante, "phyna" e professora de "jawling": um instrumento de sopro que lembra um oboé, tocado por monjes. MonjEs, não MonjAs. Tanto que quando o Dalai Lama viu que o som dos 2 jawlings vinha do toque feminino de Liz e Cibele se surpreendeu - positivamente. Sim, elas tocaram para S.S. o Dalai Lama.
Pois um dia, cá estava em casa Liz de hóspede e chegamos tão cansadas que eu não lembrei de dizer pra ela que havia um quarto de hóspedes e ela não viu. Caimos e dormimos. No meio da noite acordei e vi que Liz estava dormindo no sofá da sala. Foi quando consegui dizer pra ela ir pro quarto, já previamente preparado.
No dia seguinte pela manhã, Liz conta o episódio ocorrido na sala entre ela e Tuta.
- "Eu abrir os olhos e ver ele sentado, no chão, olhar pra mim e ... "Zhiiiii...", imitando o rosnar irado de um gato com os dentes arreganhados.
- Magina Liz, ele não faz isso...
- "Fazer sim. Olhar para mim e ... "Zhiiiii..." - repete acrescentando as mãos de dedos encurvados crispadas imitando perfeitamenta o que um gato faz na hora da raiva, antes do ataque.
- Liz, ele nunca fez isso! (não sei exatamente onde eu queria chegar...)
e ela continuou:
- "Pois hoje fazer. Aí, eu sentar e explicar pra ele: Toulouse, eu não saber o que acontecer antes. Não saber o que fazer para você, mas vamos esquecer! Passado viu? O que acontecer foi! Acabou! Desculpa! Agora eu ser gente você ser bicho, entende? Eu gente, você bicho! Bicho, gente, entender? Então acabou! Deixar para lá!"
Assim, cá estou esperando amadurecer o carma do Tuta e o meu. Ele bicho, eu gente. Agora.

Ao que tudo indica ele deve continuar piorando. O rim dele já não está funcionado.
Vem a impermanência. Penso na vida e nos momentos desperdiçados. Na generosidade. No amor incondicional que os bichos nos escancaram o tempo todo como é, e como é fácil. Volta a dor do apego pelo tamanho do ego que temos. É o Meu gato!
Mas volta, sempre que vivo esses momentos, a minha reverência ao amor das minhas amigas - e amigos - pelos filhos. A força que tem. A firmeza. A segurança que passam. Tudo pode ser traduzido até na respiração sincronizada com o filho amado! Esses pais são meus heróis!
Por hora, choro e acompanho a vida do Tuta. O gato que não é gato.

26 Junho, 2011

PERNA CURTA

Acho difícil mentir.
Omitir. Esconder. Camuflar. Qualquer verbo que não seja a verdade de doer. Ou a verdade doa a quem doer. Pior ainda quando dói na gente. E acho que é por isso que acho difícil mentir.
O espelho tá na cara. Reflete. E só. Não acrescenta nem retira nada. Então, como mentir pro espelho? Como ignorar o que um banho escancara depois da água escorrer pelo rosto pelo corpo pelas mãos? Do cabelo se transformar naquilo que é assim desde sempre? Dos olhos se cruzarem com os olhos? Do olhar parar e perguntar o que quiser - porque a resposta virá?
Mentir é muito difícil.
Mas... como o falso se vê verdadeiro, o mentiroso se vê honesto, o infiel se vê fidelissimo, o corrupto se vê esperto, o arrogante se vê simples, o ladrão se vê justo? Sei lá.
Mas vê. E tem absoluta certeza do que vê.
Porque assim sente.
E assim, será que mente?...

13 Junho, 2011

O REI [e a tentativa de plagiar Manoel Bandeira]

Na Pasárgada eu escolheira a cama.
Faria ginástica, Andaria de bicicleta, Montaria em burro brabo, Subiria no pau-de-sebo, Tomaria banhos de mar!

Pasárgada tem de um tudo.

Tem barulho de mar e lua cheia, Banho quente sabonete novo, Toalha macia.
Cerveja no gargalo, Um beijo de boa noite, Um beijo de bom dia.
Lá é lugar bom pra namorar, E eu escolheria mais do que a cama.
Mas nada disso eu sei. Não sou amiga do rei. Foi alguém que veio me contar.

27 Maio, 2011

RAY BAN

Sou conservadora. Ninguém acredita,
eu sei, mas sou. Em [quase] tudo, eu acho. Pra usar, camiseta branca, Levi's e Ray Ban [e como diz Danuza: "Armani para o resto"]. Ray Ban eu adoro desde que vi um no rosto do meu irmão - e isso faz muito tempo. Assim, desde sempre tenho. Do tipo caçador. Grande. A gente pode virar e revirar os olhos sem perder o foco. Com astigmatismo forte, as lentes originais eram trocadas por lentes com grau e meus rayS banS perdiam o BL gravado. Com o tempo e as lentes de contato, cheguei a usar com as lentes originais mas sácomé, não tem lente de contato pra perto... e lá meus rayS banS com as tais multifocais, perdiam o BL das lentes.
Agora depois da cirugia, novamente ando por aí com meu velhinho BL - desta vez com a gravação nas lentes originais.

Mas ... não sei o que aconteceu... talvez um virus sei lá, só sei que deu febre coletiva. Epidemia.
E toda mulher agora aparece trabalhada no ray ban. Me lembra aquele tempo em que foi moda pra Tropa de Choque e todos "da corporação" usavam. Despois a moda se espalhou e parece que fazia parte do uniforme da polícia militar do Brasil. Até chegar Matrix e o modelito do óculos conhecido como máscara ganhar a preferência dos uniformizados. Mas um ray ban ainda tem seu valor na tropa!
Mas agora heim mocinhas? O que é? Em tempos de Chanel, Gucci, Prada, Fendi... o que tem de moçoilas nas fotos escondendo os olhos com um aro dourado e as palavrinhas
Ray Ban com letrinhas brancas gritando nas lentes marrons dos óculos... é uma co-u-sa! E nem vou falar que metade deve ser chinês.
Resultado, tô quase achando feio. Eu disse quase... prestenção... quase...

Pro Dia dos Namorados? Ah... Flores. Sempre. Ou um brilhante do tamanho dos que Ivete Sangalo usa nas orelhas. Mas não há motivo pra preocupação... pra mim, simplezinha assim, não precisa ser o par... basta um!

26 Março, 2011

A REVOLUÇÃO BAIANA DOS NOMES

Salvador Square Garden.
Algúem deve achar mais chic. Muitos devem achar melhor com sotaque. Não acho. E pelas minhas pesquisas no bairro, não sou a única que não gosta.
É tipico de Salvador, os prédios terem nomes com um "Solar" na frente. Ou "Mansão". Até um "Palais". Achava gozado, mas com o tempo, e talvez o exagero, passei a achar over. "Over" eu disse! [vai ficar mais fácil pra quem bota o nome entender].
Os exemplos são infinitos. Ou centenas digamos melhor. E cada um de nós, assim de prima, pode citar dez. Experimenta! [que cerveja era aquela mesmo?]
Meu dentista está instalado em um desses edifícios com nome chic. No táxi o motorista pergunta novamente: Onde? Repito: Piérre Fucô e ele então entende: Ah...no Faculti ali perto do Festa... É esse mesmo.
Bom, dentro dessa cultura bárbara que é a baiana, dessa vida de bem com a vida, dessa alegria escancarada desse povo mara e megavilhoso que é o baiano, não sei porque não se fazer uso dos nomes, sujeitos, objetos, adjetivos, substantivos, superlativos etc.. do baianês! [com a palavra Lariu] pra dar nome às construções. De quebra ainda seria um marketing excelente pra Bahia.
Assim o Palais du Versant poderia se chamar Palácio do Acarajé. O Vale do Loire poderia ser Vale do Brown. E haveria o Solar Dodô e Osmar. Mansão Camaleão [esses dois com rima caprichada].
Os conjuntos poderiam ter nomes temáticos. No Condomínio Dendê os Edifícios seriam Casa da Muqueca. Bangalô do Vatapá. Sobrado do Xinxim. Residência da Maniçoba.
Já pensou que chic seria morar na Mansão Dona Canô? E ainda Caetaneando: Solar Muqueca de Maturi?
Os nomes também poderiam acompanhar a classe social. Prédios populares seriam batizados de Morada do Axé. Vivenda da Pipoca. Residência do Cordeiro.
Eu poderia viver muito bem no 12º andar do "Varandas do Abadá" debruçado sobre a Baía de Todos os Santos. Ou quem sabe vizinha do Ari no Vivenda dos Filhos de Gandhy.
Teríamos o Palacete do Chiclete, Palácio Caxixi e o Casarão do Berimbau.

E aí, o camarote da Ivete pro show de amanhã, ao invés de Salvador Square Garden, seria o Camarote Chupa Toda.
Ah! Sim... o Pierre Foucault - por sugestão daquele motorista de táxi - seria Vivenda das Muquiranas!
.



24 Março, 2011

ESQUECI - ou VIRGEM EU?

Não é uma questão de memória. É falta de prática. Acho. Porque andar de bicicleta não exige prática pra gente não esquecer e tantas outras coisas ficam perdidas...? Quem sabe?
Esqueci como é passar o dia dos namorados com namorado.
Esqueci como é um primeiro encontro. Esqueci como é usar salto alto. Como usar perfume. Que brincos colocar. Usar ou não anéis.
Esqueci como é dançar junto, de rosto colado, com quem a gente quer beijar, ficar, dormir e depois acordar. Esqueci até como se desce do carro na garagem do motel e como a gente se despede dentro do carro, as pressas, com medo de assalto.
Esqueci que não saber, faz parte de toda primeira vez.
E me lembrei que assim, é a primeira vez.

18 Março, 2011

OLHA A LUA LÁ...

"A Lua Cheia vai nascer no leste ao pôr do sol e deve parecer especialmente grande quando estiver próxima ao horizonte por causa do que é conhecido como "ilusão da lua." Luas perigeu são cerca de 30% mais brilhantes e podem parecer 14% maiores," diz o site da Nasa."


14 Março, 2011

CARNAVAL - ACABOU


Sabe como é que eu sei? Moro na Barra.

TÔTÉQUI Ó!

* não aguento mais homem fino que vira cafajeste depois do segundo copo
* não aguento mais mulher honesta só pro marido
* não aguento mais amigos para sempre que desaparecem na primeira crise de depressão